A amiga mais íntima entre as outras, quer saber como anda o coração. Puxa assunto, quase um interrogatório. Ela não tem problema em se expor, falar, colocar pra fora. Quando faz isso, irrita às outras. "Quem é? Como ele é? Quanto tempo?", responde, mas com a praticidade de quem está informando as horas. Porque ela não acompanha as outras em suas velhas necessidades de comparar, competir? Ela não tem paciência pros papos de mulheres sobre homens 2.
Acha vulgar, quase banal, a forma que uma conversa sobre emoções se torna quando reúne mais de 3 mulheres. Parece uma batalha de egos. E ela com aquela sinceridade tamanha confude as outras. "Porque você não faz tipo? E agora? Vai namorar, casar?". E por aí vai. Ela pede socorro pro garçom e uma coca cola também. Garante que não sabe e nem precisa saber. Se arrepende de não ter aceito o convite do amigo - homem - em sair pra simplesmente curtir o fim do dia, com muitas calorias, gargalhadas e nenhuma necessidade de planejar aquilo que não se pode prever. Just life! Com ele, ela faz isso direitinho.
É isso, ficou presa na teia de uma conversa que consiste em mulheres dispostas a passar a noite lamentando escolhas erradas, discursando arrependimentos, fazendo planos, sonhando com príncipes encantados, planejando. Não se deixa inflamar pela revolta das outras, não tem o que falar dos homens, não os xinga, não os julga, não os odeia. Eles são homens, e ponto. Assim, como ela é mulher, e ponto. Sem muitas exigências, por favor.
Encontrar alguém que a faça rir mais que todos aqueles que já a fazem rir, alguém que ela admire ao ponto de querer dividir passeios pela praia até filas de supermercado, ambos com o mesmo entusiasmo, também é o que ela quer. O que ela não quer é ter que ter que ter essa necessidade. Hoje ela, simplesmente, não tá afim. Pode ser que esteja amanhã. Amanhã, não hoje. Ou nunca. Ou de repente.
Canta pra ela, Jorge Ben Jor - Filho Maravilha.
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