segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Insônia hibernante

Parada. Nem mais um passo. Ir pra onde? Olhar pra o quê? Caminhe. Ficar não tem sentido. Será que andou se perdendo ou se encontrando? Volta átras ou segue em frente? Há muito abandonou um dos sentimentos mais humanos: a culpa. Muitas vezes foi o remorso que a paralizou. Hoje não tem mais desculpas. Livre do passado porque não tenta se prender ao futuro? Vive o presente, mas sabe que tem estado ausente de si mesma.



Os mais íntimos não a reconhecem. Os estranhos se identificam. O problema é deles ou dela? De ninguém. Que aprendam a lidar com isso. É, porque ela está tentando. Ela sempre foi assim. A auto negação a qual se submeteu só a tornaram mais ela mesma. Durante um tempo fez das tripas coração para esconder tudo que de mais interessante tinha pra mostrar. Agora, não quer mais deixar de ser quem é. Brinca consigo, brinca com o outros, com seus 'eus', com os 'tus'.



Se surpreende com o que desperta. Ou será que apenas constata o que planeja? Não pode negar que hoje é mais fácil conviver consigo mesma. Briga consigo mesma pra não fazer o mesmo com os outros. E às vezes pacifica seu eu comprando briga até com o vento.



Ontem, alguém entrou pela janela e ela fechou a porta. A provocou a pular da cama, mas ela apenas ajeitou o travesseiro e riu ao olhar pro visor do telefone. Hoje, outro alguém quer respostas, ela desliga o telefone. Simplesmente fecha a janela e abre a porta. Aos pedidos de siga, ela pede pra ir devagar. Aos de pare, ela diz vamos agora!!!





Na cadência da Dolores, Analyse - The Cranberries.

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