Ela fica é rindo. Depois de um dia cheio de trabalho, engulida pela rotina, ela encontra com os 'mais chegados'. A mania de fazer 2 (às vezes até 3) coisas ao mesmo tempo fez com que - mais uma vez - chegasse atrasada pro cinema. O filme ficou só no cartaz. Sem ingressos e com muito mais vontade de jogar papo fora, ela queria comer. O apetite anda uma coisa de louco esses dias.
Seguem destino pro lugar bacana recém descoberto. Ela só quer tá com eles, vodka e uma porção de camarões. Sorvete também, mas só depois. Risos, gargalhadas, carinhos, o mais do mesmo que sempre é diferente. O encontro também é de comemoração, quer dividir com eles o mais novo desafio na vida profissional.
Eles se entendem, eles se desentendem, se censuram, se provocam, um quadrado perfeito. Na outra mesa, outros e outras também querem rir com eles. Ela, apesar dos sorrisos facéis demonstra que o mundo para ela é só aquela mesa, o resto ela nem percebe. E atraiu do mesmo jeito. Eles riem de como brincam de brincar com os outros.
Mas ela não vai voltar pra casa hoje do mesmo jeito. Ela despertou o interesse de uma ela como ela, ou melhor de duas elas. Uma age como se fosse um ele, é direto, assertivo, ela diz não. A outra ela não, faz que nem nota, mas na hora certa invade o espaço dela. Antes, soube como fazer, troca o dvd do telão com a cantora que ela quer ouvir. Que loucura? Ela se pergunta retoricamente. Ela encara, desvia, responde, nega, impõe, concorda, fica assim brincando de seduzir o que não pode ser objeto de desejo.
Passeia num terreno minado, onde definitivamente não pretende plantar uma graminha sequer. "Se eu quisesse carinho de uma mulher, ia pra casa agora e me jogava na cama da minha mãe e pedia cafuné até dormir", fala pros 'mais chegados' em off e encerra o assunto com a delicadeza que lhe é tão sutil. Além disso, tinha um elezinho na outra mesa bem mais interessante.
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